|
A leitura da sentença no processo de insolvência da Sédico, empresa que pagava os salários aos trabalhadores despedidos de O Primeiro de Janeiro, foi hoje adiada no Tribunal de Comércio de Gaia por desistência da oposição por parte da empresa. Pouco tempo depois de o pedido de insolvência da Sédico dar entrada no tribunal, em Maio de 2008, a empresa apresentou a sua oposição ao mesmo pedido, tendo desistido da mesma esta terça-feira.
O processo teve início em Maio de 2008 após apresentação do requerimento de um antigo trabalhador de O Primeiro de Janeiro, Manuel Dinis, no Tribunal de Comércio de Gaia, que desde 1990, altura em que deixou jornal, apenas viu paga uma prestação da indemnização acordada em cerca de 15 mil euros.
A desistência de oposição de insolvência pela Sédico levou a que o tribunal não pudesse tomar hoje uma decisão, ordenando que a empresa apresente uma listagem dos bens num prazo de 10 dias. Depois de a empresa apresentar uma listagem de bens que possam ser penhorados, para pagamento de dívidas, o tribunal poderá declarar a insolvência plena ou limitada da Sédico. Caso a insolvência da Sédico seja plena, todos os credores podem reclamar, junto do tribunal, os respectivos créditos em falta.
Se o tribunal optar por uma insolvência limitada da Sédico, os credores têm cinco dias para pagar uma caução e pedir um complemento de sentença no sentido de dar seguimento ao processo. Manuel Dinis desempenhou, até 1990, funções de inspector no jornal O Primeiro de Janeiro, altura em que Eduardo Costa, actual gerente do grupo, pegou no título. Durante alguns anos o antigo trabalhador de O Primeiro de Janeiro, pertencente ao Sindicato dos Gráficos que deu início ao processo do pedido de insolvência, aguardou pelo pagamento das dívidas até que recorreu a uma solicitadora que, ao longo de dois anos procurou, em vão, por bens da empresa que pudessem ser penhorados. A solicitadora deparou-se com várias dificuldades como moradas falsas de empresas do grupo de Eduardo Costa. Também para receberem pagamentos em atraso, um grupo de trabalhadores do Janeiro despedidos colectivamente em Agosto de 2008 instaurou um processo contra a Sédico e a Fólio, empresa detentora do título, estando marcada uma audiência de partes para o próximo dia 5 de Novembro no Tribunal do Trabalho.
Neste processo assistiu-se a algumas dificuldades em notificar a empresa Fólio porque, segundo relatou fonte próxima, a morada que consta da empresa que consta na ficha técnica de O Primeiro de Janeiro, é falsa. Volvidos 140 anos do seu nascimento, o jornal O Primeiro de Janeiro suspendeu a sua publicação no passado dia 1 de Agosto, após o despedimento colectivo de toda a redacção (34 jornalistas e três administrativos), regressando às bancas no dia 4 de Agosto pela mão de Rui Alas, ex-director do suplemento desportivo daquele órgão, e quatro jornalistas do mesmo suplemento. O Primeiro de Janeiro nasceu a 1 de Dezembro de 1868, mais de uma década depois do surgimento de O Comércio do Porto e quatro anos após o lançamento do Diário de Notícias. Com o encerramento de O Comércio, este diário tornou-se no mais antigo da região do Porto.
Fonte: Lusa
Publicado por estaccs às outubro 29, 2008 04:17 PM
|