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Dois jornalistas dinamarqueses que divulgaram informações dos serviços secretos que colocavam em dúvida a existência de armas de destruição maciça no Iraque foram acusados de porem em perigo a segurança do Estado, informou hoje o procurador público do reino.
Esta é a primeira vez na história contemporânea da Dinamarca que jornalistas são acusados de atentado contra a segurança do Estado. Os dois repórteres, do jornal diário "Berlingske Tidende", podem ser condenados a dois anos de prisão.
Em 2004, Michael Bjerre e Jesper Larsen publicaram uma série de artigos com análises confidenciais sobre as ameaças colocadas pelas alegadas armas de destruição maciça (ADM), assinadas por um agente dinamarquês dos serviços secretos, Frank Grevil.
Os documentos colocavam em dúvida a tese do Governo liberal-conservador dinamarquês, segundo a qual o regime de Saddam Hussein detinha ADM, o que justificava a participação do país na guerra contra o Iraque em 2003, ao lado dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Frank Grevil foi condenado a quatro meses de prisão.
O chefe de redacção do jornal, Niels Lund, insurgiu-se contra o processo judicial. "Publicámos informações que eram, em grande parte, acessíveis a partir da Internet. Não compreendo por que razão isso ameaça a segurança do Estado", afirmou.
"Os dois jornalistas fizeram um bom trabalho. Desvendaram, com um ângulo crítico, a decisão do Governo de envolver [o país] na guerra contra o Iraque", salientou o director em editorial.
O presidente do sindicato dos jornalistas da Dinamarca, Mogens Blicher Bjerregaard, disse ter ficado "chocado" com esta decisão e adiantou que está pronto para levar o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
Fonte: Público on line
Publicado por estaccs às abril 27, 2006 04:16 PM
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