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Um fenómeno há muito em desenvolvimento a nível internacional, a imprensa gratuita começa a dar os primeiros passos no nosso país. Este foi um dos temas discutidos no 05’Encontro de Comunicação da ESTA, contando com dois intervenientes com os quais não posso deixar de concordar.
Se por um lado o director do jornal “Metro”, Nuno Luz, nos diz que a imprensa gratuita não deve ser desvalorizada pala sua natureza(dependência da publicidade, diferenças no estatuto editorial, etc.), por outro, o jornalista do “Público”, João Rocha, vem acrescentar que a imprensa gratuita não constituirá uma ameaça à imprensa paga enquanto não definir a agenda e enquanto puser ao dispor do leitor um produto que a imprensa gratuita não pode disponibilizar.
Normalmente de natureza generalista, encontramos agora um novo formato deste tipo de imprensa. A Cofina resolveu lançar um jornal desportivo, diário e gratuito. A partir do próximo mês de Abril Madrid e Barcelona já poderão contar com a presença do ‘Penalty’ nas bancas. Será este o início dessa “ameaça” aos jornais pagos? Sendo esta “modalidade” de imprensa muito específica e, por isso, não podendo oferecer produtos muito diferentes, irá pôr em perigo os jornais desportivos pagos? Na minha simples opinião, não.
Não posso deixar de concordar com o João Rocha e acreditar que a imprensa paga oferece produtos mais completos, mais desenvolvidos, enfim, registos que a imprensa gratuita não pode oferecer. Exemplo disso será uma boa reportagem, repleta de informação e baseada num trabalho de pesquisa. Não quero com isto descuidar a imprensa gratuita. Ela também oferece bons produtos e boa informação. Mas (ainda) não oferece registos que implicam a existência de um trabalho árduo de investigação, pesquisa, procura, por parte de um jornalista, e, desculpem a sinceridade, remunerado.
Obviamente que, estando este novo jornal inserido num grupo de comunicação, a disponibilidade de artigos mais completos, elaborados por jornalistas remunerados e, por isso, fruto de um trabalho mais desenvolvido, será de mais fácil acesso. Mas o facto de existir a imprensa gratuita poderá também contribuir para um aumento do número de leitores e, assim, um maior número de consumidores da imprensa paga. Este passa ser um hábito que irá levar o leitor a pagar por um jornal, a ir à procura de mais.
Efectivamente, este novo “investimento” será uma boa aposta. Desde que bem reflectido.
Catarina Machado
Publicado por estaccs às março 27, 2006 11:30 AM
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