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março 29, 2006

JERÓNIMO MARTINS APRESENTA QUEIXA CONTRA CANAL PRIVADO

A direcção da filial polaca da Jerónimo Martins vai apresentar queixa contra o canal de televisão TVN, que emitiu um programa sobre o suicídio de uma empregada da rede de lojas que o consórcio tem na Polónia.

Em comunicado, a filial polaca da Jerónimo Martins (JMD) considera inadmissível que o programa tenha sugerido que o suicídio fora motivado pelas condições de trabalho nas lojas Biedronka.
Assinado por Pedro da Silva, director geral da JMD, e por Leslaw Kanski, membro do conselho de administração, o comunicado sublinha que o programa emitido recentemente pelo canal TVN atentou contra o bom nome da empresa e foi «mais um ataque injustificado» à empresa.
O programa «Sob tensão» foi realizado na rua em frente da loja Biedronka em Lebork, onde trabalhou durante quase 10 anos Ania Daszkiewicz.

Entre as pessoas entrevistadas estavam o irmão da falecida, colegas de trabalho e amigos, mas também o inspector de trabalho responsável pela fiscalização das condições de trabalho na loja.

Os testemunhos ouvidos apontaram para a responsabilidade do chefe de região da rede Biedronka, Marek Rutkowski, cujo tratamento brusco e humilhante teria levado Ania a cometer o acto desesperado que deixou órfão um filho de cinco anos.

Segundo o irmão da funcionária, Ania era uma pessoa bem disposta, mas o trabalho na loja, depois da chegada de Rutkowski, em Dezembro passado, mudou-a completamente.

A mulher aparecia cada vez mais abatida, andava sem sono e tremia só de pensar que tinha que ir trabalhar, queixava-se das humilhações a que o chefe de região a submetia, acrescentou o irmão.

Ania recorreu a um psiquiatra, começou a tomar medicamentos, mas acabou por se matar.

Em declarações à imprensa polaca, o porta-voz da polícia de Lebork confirmou o conflito entre Ania Daszkiewicz e o chefe de loja.
Segundo a direcção da JMD, os autores do programa emitido pela TVN não esperaram pelos resultados da investigação actualmente conduzida pela procuradoria e culparam o chefe de região e a firma, «sugerindo ao mesmo tempo que se tratou de mais um exemplo de ausência de mudanças para melhor na Biedronka».

O comunicado protesta igualmente contra o facto de a empresa ter sido convidada a pronunciar-se no programa dois dias antes da emissão e de não terem sido ouvidos empregados que quiseram estar presentes para defender o chefe de região.

Acrescenta que a morte da empregada constituiu um choque para a empresa e manifesta indignação pelo facto de o canal TVN ter atacado mais uma vez a JMD «sem respeito pelas regras de objectividade jornalística».

O suicídio de Ania Daszkiewicz não é o único problema da rede Biedronka em Lebork.

Uma outra ex-empregada, Bozena Zielke, de 47 anos, que trabalhou na Biedronka entre 1999 e 2005, exige da empresa uma indemnização de 275 euros por invalidez que diz ter sido provocada por esforços físicos que lhe eram impostos na loja.

Afirma que descarregava paletes dos camiões e que estas chegavam a pesar uma tonelada.

Quando as dores nas costas lhe impossibilitaram o trabalho, foi ao médico, que lhe disse que não podia carregar mais do que cinco quilos. Diz que quando informou a empresa, foi despedida. Segundo o advogado de Bozena Zielke, Lech Obara, processos como este vão suceder-se, pois há dezenas de empregadas na mesma situação.

FONTE: Diário Digital / Lusa
Maria José Vaz


Publicado por estaccs às março 29, 2006 03:22 PM

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