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Os números não enganam. E eles demonstram que, cada vez menos, as pessoas compram jornais. Os jornais gratuitos e on-line ganham terreno no mercado informativo fazendo pairar no ar de que uma nova era na informação de massas vem aí para dominar.
Em breve, comprar um jornal impresso poderá deixar de ser um hábito normal. Estaremos a exagerar? Temos razões suficientes para crer que não. Os tempos mudam e os hábitos e necessidades das pessoas mudam igualmente. Longe vai o tempo em que desfolhar as páginas de um jornal era a nossa única fonte de acesso a tudo aquilo que de relevante acontecia no mundo.
O mundo tecnológico em que actualmente vivemos deu-nos acesso a todo um conjunto de instrumentos que são capazes de fazer remontar ao tempo da pré-história objectos tão simples como o papel, caneta ou lápis. O computador pessoal veio intensificar ainda mais essa ideia, e o aparecimento e desenvolvimento da Internet veio provocar o acesso à informação a uma escala global nunca antes imaginada. Para mais, sabendo que vivemos numa era em que o fluxo de informação corre a um ritmo frenético e que o que o que aconteceu à meio dia atrás já não satisfaz a nossa necessidade de informação, somos obrigados a reflectir sobre qual será o papel da imprensa escrita num futuro dominado pelos meios tecnológicos e pela necessidade de actualização a toda a hora.
A juntar ao ataque da internet, temos também o aparecimento de uma imprensa gratuita que ameaça roubar leitores à imprensa paga. Contudo, esta nunca poderá aspirar a dominar o panorama da imprensa escrita. Um jornalismo rigoroso, credível e de boa qualidade será sempre uma vantagem que a imprensa de venda ao público terá em relação aos jornais gratuitos. Estes últimos nunca conseguirão atingir os níveis de qualidade dos primeiros, dado que o seu primeiro objectivo é promover os produtos publicitados nas suas edições e só depois informar, coisa que não acontece com a imprensa tradicional, cujos principais objectivos são informar e consequentemente lucrar com isso.
Vivemos numa época de consumo rápido, em que a informação por vezes se apresenta, igualmente, como algo a ser rapidamente consumido. É através desta peculiaridade, da sociedade contemporânea, que a imprensa gratuita poderá roubar uma pequena parte dos leitores de jornais pagos, mas nunca uma fatia considerável. O perigo, portanto, não advém daqui. Os verdadeiros adversários são sem dúvida os jornais on-line.
É inevitável o facto de que um dia todos teremos um computador pessoal com ligação à internet, através do qual teremos acesso a todo um conjunto de informações através de portais e jornais on-line. Informações essas que poderão ser rigorosas, credíveis e de boa qualidade, tal como se apresenta em grande parte da imprensa escrita, coisa que aliás já acontece actualmente. As grandes vantagens estarão no seu acesso bastante prático e na possibilidade de constante actualização das notícias disponíveis. O que actualmente é impraticável e quase impossível por parte da imprensa escrita. Ora, tendo em conta a era em que vivemos, tal não se apresenta mais como aceitável.
Isto não significa o desaparecimento dos jornais dos postos de venda, antes a perca, por parte destes, do monopólio da informação para o jornalismo on-line. As exigências de um futuro cada vez mais tecnológico assim o obrigarão. É apenas uma questão de tempo. A imprensa escrita sobreviverá, mas o futuro a ela não pertencerá.
João Pedro Lobato
Publicado por estaccs às março 31, 2006 01:08 AM
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