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fevereiro 27, 2006
SONAE REGISTA HOJE A OPA
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Hoje, com a entrega na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) dos pedidos de registo das ofertas públicas de aquisição (OPA) lançadas pela Sonaecom sobre a Portugal Telecom (PT) e sobre a PT Multimédia, é dado mais um passo naquela que é considerada a maior operação de sempre realizada em Portugal: um investimento global que poderá aproximar-se dos 16 mil milhões de euros (PT, PTM, mais o refinancimento da dívida). Com o pedido de registo, a Sonaecom, empresa presidida por Paulo Azevedo e proprietária do PÚBLICO, irá entregar na CMVM o projecto do prospecto da OPA e o projecto do anúncio do lançamento da oferta, onde estará à partida definido o essencial da estratégia do grupo da Maia para a PT, que por sua vez controla em 56 por cento a PT Multimédia (PTM). A Sonaecom, tendo em conta as últimas palavras de Paulo Azevedo (ver PÚBLICO de sábado), deverá manter a contrapartida das ofertas inalteradas, ou seja, uma oferta de 9,5 euros por acção para a PT e de 9,03 para a PTM. "Julgo que o equilíbrio e o prémio [preço] que pagamos é muito difícil de igualar", afirmou Paulo Azevedo, em entrevista à Reuters, difundida na passada sexta-feira. Não são de esperar igualmente alterações relevantes naquilo que são as linhas fortes do projecto de Paulo Azevedo para o eventual futuro grupo Sonaecom/PT, com especial destaque para a fusão da TMN com a Optimus. É um dos pontos que, por uma questão de concorrência, mais tem sido atacado no âmbito da OPA principal, a lançada sobre a PT. Mas Paulo Azevedo tem afirmado repetidamente que se trata de um elemento fundamental da proposta. "Não estamos a ver como é que, sem a fusão da Optimus com a TMN, se manteria o equilíbrio da nossa proposta, em termos financeiros, políticos e até da própria empresa". Chega mesmo a dizer que é o "principal factor de sinergia" da proposta. Há, contudo, muitas questões em aberto na proposta do grupo Sonae - como a internacionalização, a separação das redes cobre e cabo - que poderão ficar agora mais esclarecidas nos projectos de proposta a entregar na CMVM. Por outro lado, o desenho da operação também depende das conclusões da avaliação da Autoridade da Concorrência (AdC) ao sector das telecomunicações na sequência da fusão entre os dois operadores. Paulo Azevedo tem avançado algumas linhas gerais sobre o seu projecto. "A nossa estratégia é crescer na área internacional, no móvel, e sobretudo em empresas com posições de controlo", defende. Sobre a operadora brasileira Vivo - detida em partes iguais pela PT e Telefónica - tem dito que só pretende ficar se for com uma posição maioritária, e já vai afirmando que não tem de definir a estratégia de um momento para o outro. "Não temos pressão de venda". Sobre a separação da redes de cobre e cabo, a Sonaecom diz que não tem preferências por uma ou outra, e adianta que vai esperar pela avaliação da AdC para tomar uma decisão. Em aberto está ainda também o aparecimento de OPA concorrentes. Na imprensa têm aparecido candidatos a afirmar que ponderam essa possibilidade. Três batalhas a travar A realização da oferta está dependente de três condições essenciais. A primeira é a autorização da operação por parte da AdC, embora o Governo possa contrariar um eventual "chumbo" da concorrência alegando o interesse nacional. A segunda é a desblindagem de estatutos da PT, que terá de ser aprovada em assembleia geral (AG), por dois terços do capital representado. E a terceira, conseguir pelo menos 50,1 por cento do capital no âmbito da OPA. Será necessário ainda que o Estado aceite a eliminação da golden-share ou a sua alteração, de modo a que os direitos especiais não sejam invocados contra o plano de reestruturação que a Sonaecom pretende realizar na PT. O Estado já respondeu na semana passada a Bruxelas que pretende manter a golden-share na PT, embora saiba que, a prazo, a Comissão Europeia irá obrigar à perda destes direitos especiais. A posição do Governo foi entendida no mercado como um compasso de espera para ganhar tempo e para travar eventuais ofertas hostis sobre a PT, designadamente por empresas estrangeiras. A situação mais difícil de garantir, no entanto, deverá ser a desblindagem dos estatutos. Dada a oposição de Bruxelas às "acções douradas", é natural que o Estado aproveite o momento para trocar aquele direito por outras garantias, através de um acordo parassocial com a Sonae, garantindo, assim, o controlo da empresa em mãos nacionais. Paulo Azevedo também já disse que é possível adequar a proposta ao interesse do Estado, de modo a "assegurar o controlo nacional e a manter a vigilância sobre algumas condicionantes fundamentais da empresa". Fonte: Público on line Publicado por estaccs às fevereiro 27, 2006 12:09 PM ComentáriosMIGUEL MARTINEZ DEVESA Publicado por: miguelmartinezdevesa em setembro 23, 2006 11:51 PM Comente |