|
O ministério de Informação da Bielorrússia admitiu hoje encerrar um semanário do país por ter publicado as caricaturas de Maomé. O jornal, por sua vez, acusa o Executivo de se servir da polémica dos cartoons para o fechar, quando falta menos de um mês para as eleições presidenciais.
"É o segundo aviso à este jornal no espaço de um ano. De acordo com a lei, pode ser fechado", disse o ministério da Informação à AFP acerca do “Zgoda”, dando conta que já foi levantado um processo legal contra o semanário, sob a acusação de incitar ao ódio racial e étnico.
Contudo, a publicação defende-se e acusa o Executivo bielorrusso de utilizar a polémica acerca dos cartoons do profeta islâmico para encerrar a publicação, cuja linha política é contrária à do Governo.
De acordo com o chefe de redacção, Alexeï Korol, as autoridades fizeram uma busca às instalações do jornal, há dois dias atrás. Na altura, foram apreendidos computadores e diversos documentos.
O responsável, citado pela AFP, assegura que o “Zgoda” realizou uma cobertura “absolutamente normal” da crise desencadeada pela publicação de caricaturas de Maomé em diversos jornais europeus e que provocou protestos violentos em vários países islâmicos e acusa o Governo de a instrumentalizar.
“As autoridades utilizaram a publicação [das caricaturas] para nos acusar de desestabilizar a situação na Bielorrússia”, acrescentou Alexeï Korol.
Na Bielorrússia existe apenas uma minoria muçulmana e a crise dos cartoons teve pouca expressão no país, onde maior parte da população é cristã ortodoxa.
Quase todos os jornais independentes bielorrussos foram fechados nos últimos anos. O país é classificado pelos EUA como a "última ditadura da Europa".
As eleições presidenciais na Bielorrússia estão agendadas para o próximo dia 19 de Março. Alexandre Loukachenko, no cargo desde 1994, deverá ser reeleito.
Fonte: Público on line
Publicado por estaccs às fevereiro 26, 2006 02:24 PM
Comentários
Comente
|