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janeiro 27, 2006

JORNALISTAS DEFENDEM NOTÍCIAS EM SEGREDO

Quase dois terços dos jornalistas portugueses defendem que os casos em segredo de justiça devem continuar a ser noticiados, divulgou esta sexta-feira uma sondagem realizada para o jornal especializado Meios & Publicidade.

Questionados sobre se estes casos deveriam deixar de ser noticiados pelos media, 65% dos profissionais que fazem parte de um painel composto por directores, editores, coordenadores e chefes de redacção de vários órgãos de comunicação social respondeu que «não». Sobre o mesmo tema, 31% do painel de jornalistas dividiu-se entre o incondicional «sim» (6%) e um «sim» desde que «esse procedimento seja respeitado por todos os meios» (25%).

Apenas 4% do painel optou por não responder à questão.

A 16ª edição da «Sonda Central de Informação / Meios & Publicidade» colocou ainda em análise os casos concretos dos jornais Tal & Qual e 24horas.

Para 65% dos jornalistas inquiridos, no caso Tal & Qual, em que a Polícia Judiciária notificou o director do título e o jornalista responsável no âmbito da reportagem sobre a venda de droga pela Internet, a razão está do lado do jornal.

A elevada percentagem dividiu-se entre os que defendem que «não havendo dúvidas sobre o objectivo do trabalho, a PJ demonstrou excesso de zelo e prepotência» (34%) e os que consideram que «ficou claro o fim a que se destinou a encomenda» (31%).

Para 27% dos jornalistas a razão não está do lado do jornal, ou «porque o jornal deveria ter informado as autoridades sobre a realização da investigação» (21%) ou «porque o jornal prestou um serviço a quem quer consumir droga e não à sociedade» (6%).

No caso da notícia do 24horas sobre o «Envelope 9», documento incluído no processo Casa Pia sobre facturação detalhada de chamadas telefónicas, a maioria dos inquiridos (92%) concordou com a actuação do título da Global Notícias e defendeu que a matéria tinha «interesse público».

Para 8% a matéria não deveria ter sido publicada, ou porque «é uma violação do segredo de justiça» (4%) ou porque «não tem interesse público» (4%).

Os resultados obtidos neste inquérito foram conseguidos através de um questionário realizado entre os dias 16 e 22 deste mês aos 91 jornalistas que fazem parte do painel, sendo que as respostas foram dadas por 52 destes responsáveis dos media portugueses.

Fonte: Lusa

Publicado por estaccs às janeiro 27, 2006 04:51 PM

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