RTP AINDA TEM GENTE A MAIS
A entrevista a Emídio Rangel, Professor universitário e consultor, publicada hoje no Semanário Económico.
“A RTP ainda tem gente a mais”
Tem como “filhas” a rádio TSF e a estação de televisão SIC e como “enteada” a RTP. Emídio Rangel, um dos homens que mais sabe de rádio e de televisão em Portugal, fala dessas suas “sementes”, e relembra o processo conturbado da saída da SIC. Analisa o sector e vê espaço para mais uma televisão, uma rádio de informação e talvez mais um semanário. Por princípio, está disponível para abraçar todos os projectos na área da comunicação social. Na corrida à Presidência da República, Rangel apoia Soares e acredita que o grupo Balsemão prejudica a candidatura do ex-Presidente. Para já, quer fazer um filme.
13-01-2006, Francisco Ferreira da Silva e Catarina Carneiro de Brito
Como vê o desempenho da RTP?
A administração da RTP e a tutela fizeram uma coisa bem feita que foi a união da RTP e da RDP. Por essa via, recuperaram uma receita importantíssima - a taxa de radiodifusão - que serve para financiar a rádio e a televisão. No entanto, fala-se muito dos grandes resultados da RTP, confesso que conheço a situação com algum detalhe e sei como as coisas se passavam. Antes de Nuno Morais Sarmento ter a pasta da comunicação social, a RTP tinha uma situação muito fragilizada porque o Estado não pagava as indemnizações compensatórias que decorriam do serviço público. O dinheiro nunca faltou à RTP a não ser durante o Governo de António Guterres. A administração actual beneficiou de uma mudança estratégica adoptada pelo poder político que levou a que nunca mais se falasse em dificuldades financeiras. Com dinheiro o inevitável é a redução de pessoal. A RTP tinha gente a mais. Já se sabia quantas pessoas estavam a mais. Tudo o que faltava era o dinheiro para pagar as indemnizações.
O que está a querer dizer é que esta administração não fez nada de mais porque teve os meios para o fazer?
É necessário pôr as coisas no devido lugar e não exagerar nos méritos, como ainda há dias vi, ainda por cima pelo próprio presidente do conselho de administração. Almerindo Marques dá a impressão de ter praticado actos que ninguém era capaz de poder realizar. E não é nada disso. As soluções estavam todas equacionadas. Ele teve o mérito de as levar por diante. No entanto, acho que há falhas na RTP.
Ainda há gente a mais na RTP?
Ainda há gente a mais na RTP. Aí, esta administração ainda não chegou. Como também me parece que do ponto de vista da prestação do serviço de televisão e da rádio há muito trabalho a desenvolver. A estrutura de programação que a Antena 1 tem fui eu que deixei. A RTP África e Internacional são canais com uma programação muito pobre. É uma questão de interesse nacional que estas duas estações se convertam em estações muito vistas, sobretudo do ponto de vista da informação. Acho que deveria ser vocação natural da própria RTP, ainda por cima, dispondo de todas as condições para o fazer. Era muito fácil pôr de pé um canal de notícias que chegasse a todos os sítios onde se fala português.
Gosta da grelha de programação da estação pública?
A RTP tem que, sendo paga pelos contribuintes, atrair a atenção dos portugueses. Tem de ter mais audiências.
Acha que a RTP deveria ter mais audiências do que aquilo que tem?
Em toda a Europa, a tradição é transformar a estação pública naquela que tem mais audiência.
Então a RTP deve bater-se pela liderança das audiências?
Acho que a RTP, sem nunca pôr em causa princípios que acho que devem presidir ao exercício televisivo, deve bater-se por esse objectivo e não precisa de entrar em programas que ferem a sensibilidade dos portugueses. A grelha deve ser uma alternativa e uma referência para as próprias televisões privadas. Acho que esse é o caminho.
O “Big Brother” marcou os portugueses e marcou a sua saída da SIC. O que foi que aconteceu?
Defendi que o “Big Brother” (B.B.) era um formato desfasado da tradição da estação, mas muito perigoso porque podia pôr em causa a posição que tínhamos em termos de mercado publicitário. A minha proposta à administração foi pagar o formato à Endemol e depois decidir o que fazer com ele para evitar que fosse parar à concorrência. Na altura, o programa custava um milhão de contos quando naquele ano a SIC ia ter cerca de sete milhões de contos de lucro.
E a administração não quis...
A administração não compreendeu a minha argumentação. A comissão executiva já tinha comunicado aos accionistas o lucro esperado e não queria dizer depois que afinal era de seis milhões. Com muita antecedência disse que o B.B., apesar de trazer muita perturbação a uma estação como a SIC, tinha uma enorme capacidade de ganhar espectadores e iria perturbar completamente o percurso da SIC. Quando a SIC rejeitou o formato, a TVI comprou e os resultados estão à vista. A administração finalmente percebeu que eu tinha razão e portanto a saída que encontrou para a situação, eu diria enviesada, foi através da Globo, que era accionista e vice-presidente do conselho de administração da SIC. A Globo negociou com a Endemol o programa B.B. para o Brasil e, no mesmo pacote, negociou mais reality shows que pudessem ser usados em Portugal. Um deles foi os “Acorrentados”. A partir daí o ciclo foi de conflito e culminou com a minha saída.
Neste momento a SIC não atravessa um bom momento. A que se deve essa situação?
É o resultado dos erros cometidos a partir da altura do B.B., que levaram ao convencimento que a SIC podia ser a segunda estação, gastando muito menos e aumentando os lucros. Sempre combati esta tese e acho que os resultados mostraram isso mesmo. Num mercado tão pequeno como o nosso, o primeiro é que leva a grande fatia e o segundo, mesmo que fique muito perto, leva sempre muito menos do que aquilo que é o seu share de audiência. A SIC desinvestiu. Deixou de produzir programação própria. A SIC transmite mais novelas da Globo que a própria Globo, o que é caricato.
Agora a direcção de Francisco Penim parece ter mais dinheiro.
Agora estão a gastar dinheiro.
E o que pensa das opções tomadas por Francisco Penim?
Acho que Penim devia falar menos e fazer mais. É um rapaz inteligente, muito trabalhador, mas a SIC generalista é um “buraco” muito grande e complicado. Ele tem cometido alguns erros graves. Penim pegou numa estação que estava destroçada, mas que ainda tinha horários onde era líder, como por exemplo as manhãs, com o “SIC 10 horas”. Em vez de ir mexer em horários piores, foi mudar onde liderava. Criou um programa ao estilo da Oprah Winfrey [transmitido pela SIC Mulher], que não funciona para o público que está disponível para ver o programa àquela hora da manhã. Resultado: passou a ser a terceira estação nesse horário.
Portanto, não está a resultar...
É muito fácil dar um tombo em televisão e muito difícil recuperar. Acho que ele precisa de sorte, mas também tem que ter maturidade e conhecimento dos públicos para conseguir obter resultados. Mas pode ser que faça um bom trabalho.
No que diz respeito à informação da SIC, qual é a sua apreciação?
Estão lá profissionais muito qualificados na redacção, mas é evidente que também na área da informação, a SIC perdeu ambição. No início, a informação foi usada como elemento diferenciador entre a SIC e a estação pública. A SIC perdeu uma parte das características que faziam da sua informação líder de audiências.
Uma das coisas de que era acusado enquanto esteve na SIC era de ser muito gastador...
Quando não havia argumentos para produzir crítica ao trabalho que desenvolvi, espalhou-se essa informação. Eu gastava, mas como os relatórios e contas são publicados, pode ver-se que no terceiro ano a SIC já teve lucros e até eu sair teve sempre lucros.
Como classifica o trabalho de José Eduardo Moniz à frente de um canal que lidera as audiências?
José Eduardo Moniz é um profissional qualificado desta área. É um profissional com capacidade de gerir equipas. É evidente também que Moniz chegou e colocou a TVI como líder de audiências por força de circunstâncias como o B.B.
Mas aguentou o barco...
E muito bem. Ao nível da informação, acho-a a menos credível que temos em televisão. Também esperava que um profissional como ele tivesse mais imaginação e procurasse soluções mais inovadoras. Por exemplo, enquanto estive na RTP lancei o espaço de informação “7/10” que ainda hoje é líder. Moniz foi criar um espaço igual. O mesmo aconteceu com os “Malucos do Riso”. Acho que uma estação líder tem de ter capacidade de inovar e de recriar, deixando aos outros o património para que estes imitem. No entanto, é preciso reconhecer o mérito da TVI na produção de novelas, que é um dos pontos marcantes e pelo qual se deve louvar José Eduardo Moniz. Acho que é preciso despertar estas capacidades e esse é um trabalho que a televisão pode fazer. A TVI, ou antes a NBP e os seus responsáveis, têm o mérito de produzir com uma qualidade que não perde em nada na comparação com a produção brasileira da Globo, que é a melhor produtora de novelas do mundo. Esta última novela da TVI, “Ninguém Como Tu”, bate-se com as melhores novelas da Globo. Conquistou audiências e a ligação afectiva ao público. Por isso se fala da programação local que, mais do que qualquer programa concebido para agradar aos europeus ou aos norte-americanos, tem sempre uma probabilidade maior de criar laços de afectividade e ter sucesso, como aconteceu com esta novela.
“Há espaço para um novo canal de televisão em Portugal”
Como vê a entrada de estrangeiros na comunicação social nacional?
Confesso que não tenho nenhum problema em relação a participações de capital estrangeiro nas empresas portuguesas. Não vejo que isso cause qualquer perturbação, antes pelo contrário. É até salutar que venha aí um toque de fora.
O “El País”, tem uma imagem “pesada” e “institucional”. A TVI, pelo contrário, não tem essa imagem. Terá de haver uma transformação?
Não sei. Pode haver. Mas não acho que esteja estabelecido na ordem de valores de investimento de um grupo como a Prisa que tudo deva estar de acordo com essa imagem “pesada” e “institucional” do “El País”. Convém não uniformizar, sobretudo quando estamos a falar de países diferentes. Seria errado se chegasse aqui e entendesse que a TVI não devia ser o que é na realidade. Penso que é necessário ver o que tem de positivo, ver o que tem de negativo, e melhorar os factores negativos ou que não trazem uma contribuição para o sucesso e a implantação da empresa em termos não apenas económicos, mas também sociais. Se a Prisa não adoptar uma atitude parecida com esta, do meu ponto de vista, comete um erro.
Tem-se falado da saída de José Eduardo Moniz da TVI. Estaria disponível para assumir a TVI?
Acho que José Eduardo Moniz está muito bem onde está. Fez um trabalho meritório.
Tem-se falado na saída e é normal que o seu nome seja falado.
Admito que as pessoas pensem e especulem, muitas vezes sem nenhum fundamento. O que acho é que a realidade dos dias de hoje é esta e não vale a pena construir cenários que não existem.
Mas estaria ou não disponível se essa oportunidade surgisse?
Por uma questão de princípio estou sempre disponível para trabalhar nas áreas que conheço, que estudo, que têm sido a minha profissão e de que gosto.
O que está a fazer agora?
Estou a fazer estudos e trabalhos de consultoria em Portugal e também em Espanha e isso dá-me muita satisfação interior e gratifica-me do ponto de vista intelectual, para além do aspecto financeiro, que também é importante. Por isso, estou muito bem a fazer o que faço. Posso continuar a dar aulas na Universidade e acabar o guião de um filme que está por acabar…
Um filme para cinema?
Para cinema.
De que será realizador?
Não. Cabe-me conceber o guião e não me afastar de nenhuma das áreas de intervenção do filme. Embora goste muito de cinema não sou cineasta, mas tenho ideias, algumas das quais já foram levadas à prática nos 30 filmes da SIC. Gostava de fazer este filme porque é uma ideia antiga que quero tentar concretizar.
Que tipo de filme?
Conta a história de um homem que morre aqui de saudade da África onde nasceu.
É a sua história?
Não é a minha história.
Fala-se por vezes na hipótese de criar um novo canal de televisão em Portugal. Acha que há espaço?
Acho que existem condições para isso e não é uma questão de fé - digo-o com base em números que me foram apresentados e que vou verificando e avaliando. Também acho que a televisão piorou significativamente nos últimos anos e perdeu ambição. A oferta televisiva é hoje mais pobre e mais fraca e, curiosamente, o investimento publicitário em televisão cresceu muito acima da economia. No ano passado cresceu na ordem dos 11%. Por isso, acho que há condições para poder aparecer uma outra estação. Até porque não vejo razões para uma atitude proteccionista tão exagerada aos actuais detentores de licenças privadas de televisão nos últimos três ou quatro anos. A atitude foi de tal forma proteccionista em relação às estações que estas acharam que era melhor desinvestir e tentar ganhar mais algum dinheiro. Não há razão nenhuma para este sector ter um tratamento diferente de outros sectores da economia. Os consumidores de televisão só teriam vantagens se, por ventura, outro canal de televisão aparecesse e fosse espevitada a competição.
Estaria disponível?
A minha atitude é igual à que já explicitei em relação à TVI. Estou disponível porque esta é a minha profissão.
Revê-se na actual TSF?
Revejo-me na actual TSF. Tem um papel histórico importante e permanece nessa linha de rumo com um trabalho muito bem dirigido por José Fragoso.
Mas a concorrência das rádios da Media Capital vai fazer bem.
A concorrência faz sempre bem.
Há espaço para uma outra TSF?
Se calhar há. É ver quantas rádios de música existem em Portugal se contarmos com as locais, que são todas rádios de música.
A regulação da comunicação social está em mudança. O que acha?
Penso que deve existir uma instituição que tenha uma tarefa mais pedagógica e que em circunstâncias-limite, em que sejam ultrapassados os limites comummente aceites, pode ter um papel punitivo. Tudo é possível desde que o Estado não se envolva nos conteúdos. A questão dos conteúdos tem a ver com a liberdade jornalística e dos cidadãos em termos gerais e se há alguma situação conflitual deve ser dirimida nos tribunais. Não acho que toda a regulação deva ser feita por uma entidade que dependa de um Governo e que, inevitavelmente, terá a tentação de ter uma intervenção política.
Não devia existir um regulador?
Admito que exista, desde que não toque na questão dos conteúdos.
“Grupo Balsemão prejudica candidatura de Mário Soares”
Em 2003, disse que apoiaria Cavaco Silva numa eventual candidatura à Presidência. Mantém o apoio?
Não. Embora tenha uma grande admiração pelo trabalho desenvolvido por Cavaco Silva, sobretudo enquanto primeiro-ministro. Sei quais são as suas qualidades e os seus defeitos e não teria dificuldade nenhuma em apoiá-lo se, porventura, não estivesse em confronto com Mário Soares. Nestas circunstâncias apoio Mário Soares sem nenhuma hesitação, por tudo o que fez e pela democracia em Portugal. Acho que foi um excelente Presidente da República. Já não penso o mesmo em relação ao seu trabalho enquanto primeiro-ministro, já não tenho uma opinião tão positiva.
Cavaco foi melhor primeiro-ministro que Soares?
Sem dúvida. Mas acho que quem conferiu à função Presidencial um formato de intervenção que não chocasse com a acção do Governo, mas que fosse, na mesma, uma instituição marcante na sociedade, foi Soares. Aquilo a que o próprio chamou “magistratura de influência”. Por isso acho que se ganhasse estas eleições, coisa que se antevê difícil, se não mesmo impossível, seria sempre um bom Presidente da República.
Mário Soares tem-se queixado da comunicação social e das televisões, designadamente da SIC. Acha que tem razão?
Seria irresponsável da minha parte fazer um juízo global, muito embora leia todos os jornais todos os dias e ouça rádio todos os dias e me esforce por ver a informação televisiva todos os dias, a verdade é que não consigo abarcar tudo. Acho, no entanto, que existem alguns sinais a que Mário Soares alude e que são significativos.
Por exemplo?
Vi-o queixar-se da fotografia inserida na última edição do “Expresso”. Como jornalista e com a distância que tenho em relação à questão, não tenho nenhuma dúvida que tem razão. A ideia que se pretende passar desde o primeiro minuto em que se apresentou como candidato presidencial é de que está incapacitado, quando mostra com frequência sinais de grande lucidez e frescura física e mental. Entendo estas acções como uma tentativa de acentuar uma questão que não corresponde à realidade e que foi, nem mais nem menos, que uma campanha contra ele.
A SIC também?
Já vi coisas na SIC, em termos de tratamento jornalístico estrito, que me deixam dúvidas. Comparo as notícias de um acontecimento sobre Mário Soares na RTP e na TVI e houve ocasiões em que vi que o assunto foi mal tratado pela SIC. Custa-me dizer isto, porque não tenho os dados suficientes para fazer um juízo definitivo sobre esta matéria, mas pude constatar isso antes mesmo de Soares se ter queixado. E não é nada que me cause admiração quando me ponho a especular politicamente sobre esses assuntos. Portanto, penso, em última instância, que alguma coisa se passa.
Acha que o grupo Balsemão está a fazer uma campanha deliberada para prejudicar Mário Soares?
Acho que o grupo Balsemão se envolveu até numa lógica incoerente com aquilo que foi sempre postura do seu presidente. Mas o certo é que Francisco Balsemão, que foi um grande crítico de Pedro Santana Lopes, envolveu-se e apadrinhou as acções de Santana Lopes. O certo é que Francisco Balsemão era um adversário, com posições muito críticas, em relação a Cavaco Silva e agora vejo-o com uma atitude completamente diferente. Isso faz-me pensar sobre as coisas. Quando estava na SIC, Balsemão não tinha intervenção nos conteúdos, mas sei que, depois de eu ter saído, essa matéria passou a estar-lhe próxima.
Deu a entender que existe uma intenção do grupo Balsemão de prejudicar um dos candidatos e que essa atitude pode vir do próprio Francisco Balsemão. É grave.
Mesmo que essa seja a minha análise, se não disponho de dados objectivos para a fundamentar, prefiro não fazer acusações dessa gravidade. De qualquer forma, repito, já assisti àquilo que referi e essa é a minha experiência enquanto telespectador. Também vi o “Expresso” e acho que é fácil concluir que aquilo não é inocente.
José António Saraiva, já não dirigiu a última edição do “Expresso” e diz que vai fazer um novo semanário. Acha que há espaço?
Venham os meios e depois se verá quais os que são mais capazes. Mas é outra coisa estranha para mim. As pessoas têm muita dificuldade em assumir com frontalidade e clareza o que querem fazer. Sou levado a pensar, não sei se acertadamente, que afinal aquela mutação na direcção do “Expresso” deixou o anterior director numa posição desconfortável, que nunca exibiu publicamente e que não assumiu como sendo de ruptura, dando ideia que iria contribuir para o engrandecimento desse mesmo grupo. Quinze dias depois aparece a dizer que vai lançar um novo semanário e que se não for com Francisco Balsemão será com outro investidor. É algo que me deixa estupefacto, mas confesso que de José António Saraiva não espero coisas muito sensatas.
Fonte: Semanário Económico
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